terça-feira, 18 de novembro de 2008

10+30

10+30 normalmente dá 40. Mas isso é Matemática e não deixa de ser uma verdade absoluta. Hoje, para nós e aqui, 10+30 deu 4-5. Parece difícil de explicar ou perceber mas não. 10 minutos de excelência e 30 minutos normais/banais deu no resultado final 4 para o Odivelas 5 para a Desportiva do Fundão. Assim, não se torna difícil perceber “as minhas contas”. Sábado, em Odivelas, para a 6ª Jornada do Nacional de Futsal FutSagres o jogo começou intenso e pressionante e após o primeiro minuto e os primeiros momentos em posse da bola, percebemos a melhor forma de atacar em função da organização defensiva adversária. Aos 3 minutos 0-1, aos 5 minutos 0-2 e aos 8 minutos 0-3. Após 1 minuto de conversa a pedido do adversário, era muito importante manter a atenção, concentração e manter a mente focada no objectivo, pois faltavam ainda 30 minutos. Após 2 minutos, 1-3 numa momentânea desconcentração. No minuto seguinte 1-4. Depois, até ao intervalo, deixámos de jogar e perdemos intensidade, capacidade de concentração, dinmica colectiva, individual e posicional com e sem bola e deixámos o adversário acreditar, chegando ao intervalo com o resultado em 3-4. Ao intervalo, a “euforia” doa primeiroa 10 minutos tinha dado em “apatia” nos outros 10. Tinhamos perdido intensidade, e por culpa própria tínhamos agora mais dificuldades que facilidades. Um jogo que poderia estar desequilibrado, controlado e estabilizado estava imprevisível. Importa salientar que do controlo emocional e do jogo não poderemos passar ao descontrolo porque nos pode ser adverso. Assim, na 2ª parte, o jogo foi mais equilibrado e o adversário acabaria por empatar o jogo aos 7 minutos. Contudo, as nossas situações de finalização eram contínuas, mas agora mais em transição que em ataque posicional organizado. O golo que valeu os 3 pontos chegou a 4 minutos do fim e teve tanto de justo como de sofrido. Diz o povo que a sofrer a vitória sabe melhor, mas neste Sábado, fica-nos a sensação que a sofrer de forma desnecessária podemos ter um amargo de boca. Mais que um aviso, foi um jogo elucidativo que 10 minutos de excelência e 30 banais podem ser fatais. Sabemos o que queremos e a forma/processo de lá chegar, portanto, independentemente de tudo o que aqui escrevi, estes foram mais 3 pontos muito importantes para o objectivo. Porque as nossas acções traduzem sempre os nossos pensamentos, este jogo teve momentos onde foi mais mental que táctico-técnico ou estratégico. Nós temos um corpo, somos uma alma e porque aprendemos com os nossos erros, evoluimos e crescemos individual e colectivamente.

REFERÊNCIAS:

  1. Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Futsal – FutSagres: Sábado, 22 de Novembro, 17h00, AD Fundão x Alpendorada, Pav. Municipal do Fundão.

1 golo (!)

Os dedos tremem ao escreverem o que sinto e o coração ainda bate mais depressa quando “vejo” os minutos finais e a crueldade que acabou por nos acontecer. Não ha rigorosamente nada que nos conforte, que nos sossegue, tranquilize ou pacifique este sentimento de tristeza, angústia, aperto na alma e no coração, desgosto pessoal, individual e colectivo. Hoje não transmito mais nada a não ser tristeza, amargura e desilusão com a crueldade desportiva resultante de resultados desportivos. A isto, junto “apenas” o enorme orgulho que sinto pelo que vivi e com quem vivi, mesma da forma como o vivemos e acabou!

Na última jornada (6ª) da 1ª fase da Taça Nacional de Séniores Femininos em Futsal só nos restava golear e no mínimo, empatar a diferença de golos com o 1º classificado (Golpilheira) para assim alcançar o 1º lugar e o acesso às meias-finais da Taça Nacional. A diferença de golos era grande (13) mas a nossa ambição, carácter, querer e determinação também! Foi nos Açores que aterrámos com a ambição de anular essa desvantagem e foi com enorme carácter e determinação que abordámos o jogo. Sabíamos em consciência que teríamos que ganhar por uma vantagem superior a 13 golos e estar atentos ao desenrolar do outro jogo, no continente, onde estava o nosso adversário directo. Ao intervalo 1-7 era o resultado e nos postes da baliza adversária ja tinham batido outras tantas bolas (7). 7 bolas na baliza, 7 bolas no poste e no balneário, ao intervalo, nada mais disse a não ser que ainda acreditava mais que no início e que, no mínimo, teríamos que fazer mais 10 golos. E fizemos mesmo! Nos segundos 20 minutos fizemos mais 10 golos e sofremos outro e quando a 3 minutos do fim do nosso jogo, após terminar o jogo no continente, o nosso resultado era de 2-17, sabíamos que com o resultado do nosso adversário (vitória por 3-0) a diferença de golos era agora de apenas um, o que equivale a dizer que um golo bastaria para festejar! Desculpem não conseguir descrever aqueles minutos pois só quem viu, sente e sentiu, vive e viveu poderá acreditar no que aconteceu. Não faltarei à verdade nem a aumentarei se disser que, durante todo o jogo, a cada 30 segundos criámos e “inventámos” uma situação de finalização e das 17 que foram concretizadas, outras poderiam ter sido!

Após o enorme esforço, coragem, empenho, carácter e determinação ficámos a um golo (!) de festejar a passagem às meias-finais e os momentos que se seguiram não se contam nem escrevem ou descrevem, sentem-se e vivem-se por aqueles (poucos) que tal como nós, se alegram com as vitórias e se entristecem com as derrotas!

A crueldade desportiva tem nos resultados desportivos alcançados através de golos marcados e sofridos esta dura realidade de uns festejarem por um golo, e outros chorarem por um golo...

Descolámos dos Açores, chegámos a Lisboa e algumas horas depois ao Fundão e se estes jogos e estes resultados desportivos não nos matam, que nos façam mais fortes e que sejamos capazes de juntar ao sofrimento individual e próprio de cada um, aprendizagem, conhecimento e a capacidade individual e colectiva intrínseca de encontrar razões para o insucesso, lidando, gerindo e sabendo viver com a ansiedade, a frustração contida no insucesso e a ilusão/ambição não alcançada, melhorando, crescendo e evoluindo, um dia de cada vez...


(Este artigo foi escrito e publicado no Jornal "Tribuna Desportiva" na edição de 13 de Maio de 2008)

no feminino nos (des)entendemos

Têm que concordar comigo que seja qual for a modalidade desportiva, o jogo desportivo colectivo ou individual, no Feminino, tem as suas características muito próprias e distintas da mesma modalidade do jogo desportivo colectivo ou individual quando no Masculino. Deixem-se de apelidar o desporto no feminino em “sexo fraco”, “sexo de diamante” ou o “parente pobre do masculino”. Nada disso! O desporto no Feminino tem particularidades muito próprias e distintas do Masculino, e por isso, existem razões de sobra para olhar para o desporto no Feminino com particular atenção. Há por isso a necessidade de analisarmos a modalidade no Feminino para, conhecendo a realidade e as suas particularidades, fazer das fraquezas (se existirem) forças e após analisar ao pormenor o detalhe, trabalhar com qualidade de forma a melhorar. Lamentar, jamais, e é uma palavra que não me cabe no dicionário. O Futsal Feminino tem, naturalmente, as suas próprias particularidades e características (naturalmente, distintas do Futsal Masculino). Na globalidade, se o jogo é encarado do mesmo modo, o treino também o deve ser. Devemos ter em conta um Modelo de Jogo, de Treino, de Atleta e de Clube e ao juntar as valências que temos ao dispor, construir uma equipa no verdadeiro sentido da palavra. No Futsal Feminino, as acções individuais são menos explosivas e se a capacidade de resistir ao esforço se pode considerar semelhante, o mesmo não se pode dizer da velocidade de execução. Contudo, a capacidade de percepção e a tomada de decisões estão no mesmo patamar. E se tivermos em linha de conta que a menstruação implica um maior controlo do treino e do jogo, então a nível fisiológico é muito distinto do Masculino. Se a nível cognitivo a facilidade em assimilar processos é semelhante (ou por vezes maior), esta pode ser uma particularidade determinante no treino e no jogo pois, embora a percepção da acção esteja definida, a reacção à mesma é menor e por isso, a nível táctico-estratégico, interfere na organização colectiva. A nível defensivo, por exemplo, a intensidade é menor, as coberturas à bola têm que ser uma constante e parece-me que o método defensivo mais indicado será a zona mista, facilitando permutas na marcação. Em termos ofensivos, a título de exemplo, a variabilidade de soluções nas diversas estruturas adoptadas podem ser determinantes, levando a que as Atletas tomem a melhor decisão em função do momento. Independentemente das particularidades, tenho a convicção que o conhecimento do jogo é primordial e fundamental para que todo o processo resulte no que queremos: formar em vitória! Estive por estes dias (Janeiro de 2007) em Fátima, no “VIII Torneio Inter-Associações de Futsal Feminino Sub/19”, organizado pelo Departamento de Futebol e Formação da Federação Portuguesa de Futebol, representando a Selecção Distrital da Associação de Futebol de Castelo Branco. E porque o que me preocupa somos nós e não os outros, acabemos de uma vez por todas com a ilusão que ainda existe nalguns clubes e/ou pessoas a ilusão do aclamado Campeonato Nacional de Futsal Feminino. Meus senhores e minhas senhoras, isso é uma mera ilusão. Quando a Federação Portuguesa de Futebol se propõe organizar um Inter-Associações de Futsal Feminino sem que a Federação tenha, no seu Departamento de Futebol e Formação, qualquer Selecção de Futsal Feminino, então só nos podemos questionar o porquê deste Torneio, quais os seus objectivos e o porquê de tanta gente (iludida) lutar pelo Campeonato Nacional de Futsal Feminino. Para mim a resposta é clara: este Torneio serve de observação para a Selecção Nacional de Futebol de 11 Feminino. Inadmissível pensarão vocês, absurdo e despropositado digo eu. Não me parece que a Federação esteja interessada em terminar com a Selecção de Futebol de 11 e por isso, parece-me a mim que não há a mínima intenção de criar o Campeonato Nacional de Futsal Feminino. E se existem ou não incompatibilidades, só a Federação pode responder, pois para mim não há! Nem para mim, nem para quem ainda acredita que isso seja possível. Assim, da Federação à nossa Associação, eis o reflexo de tal questão. Olhemos para os nossos quadros competitivos no Futsal Feminino e retiremos deles uma conclusão. Lanço o desafio, a questão e a dúvida, e estarei pronto a partilhar a minha opinião. O pensamento nasce com a dúvida…


REFERÊNCIAS:

1. Escreve a Federação Portuguesa de Futebol que, e passo a citar: “Os Torneios Nacionais Inter-Associações integram-se no processo metódico, regular e sistemático de desenvolvimento qualitativo e quantitativo do futebol português”. Ainda não entendi o que há para desenvolver no Futsal Feminino sem Selecções de Futsal Feminino e sem Campeonato Nacional. É que a Taça Nacional é pouco…

2. Depois de uma má colheita, também é preciso semear!

3. Quando o bailarino não sabe dançar, é a sala que está torta. As coisas poderiam correr bem melhor com decisões mais adequadas para cada circunstância específica.

(Este artigo foi escrito e publicado no Jornal "Tribuna Desportiva" na edição de 16 de Janeiro de 2007)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

No melhor pano...

Sábado, para a 5ª Jornada do Campeoanto Nacional de Futsal Futsagres, recebemos a Fundação Jorge Antunes e além de líder invicto da competição sabemos que é por si só um adversário com enorme qualidade individual e colectiva. Mantendo o rendimento da passada semana e procurando não errar (ou errar pouco), estávamos conscientes da nossa qualidade e a ambição era a mesma de sempre – vencer. Ao intervalo 0-1 mas o nosso rendimento competitivo e a nossa intensidade eram notáveis e não estávamos satisfeitos com o resultado. Para a 2ª parte, mantendo tudo de bom que tinhamos feito e corrigindo os erros cometidos, não errando, íamos à procura dos golos. Tivemos um comportamento colectivo e individual notável, de muita qualidade e nunca a Fundação se sentiu cómoda ou confortável, e não dominando, apenas conseguiu controlar porque fomos ambiciosamente organizados, pressionantes e fortes. 1-3 final é o resultado que nos deixa insatisfeitos mas orgulhosos do nosso comportamento, rendimento, ambição, qualidade e organização. Agora, queremos manter esta consistência colectiva de rendimento intenso e concentrado porque assim, vamos ter mais alegrias que tristezas. Se no melhor pano... cai a nódoa, no Sábado, num pano de belíssima qualidade caíram 3 nódoas... e agora poderia estar aqui a falar-vos de outro resultado.


REFERÊNCIAS:


  1. Quando tiverem oportunidade para tal, consultem na internet o seguinte sítio que agora vos dou: http://www.youtube.com/watch?v=WJerE3ukI2M. Este link é referente ao jogo do mundial de futsal realizado no brasil entre Itália e Paraguai. Este foi o polémico jogo onde uma equipa perdeu pela margem “conveniente”. Premeditado? Vejam...
  2. A Selecção Nacional Universitária de Futsal masculina e o seleccionador Orlando Duarte foram nomeados para os prémios "Desportistas do Ano", nas categorias de equipa e treinador, respectivamente. Desta forma, a Confederação do Desporto de Portugal, reconhece a excelente prestação da equipa que se sagrou Campeã Mundial Universitária na Eslovénia, no passado mês de Agosto. Este foi o primeiro Título Mundial Universitário conquistado por Portugal numa modalidade colectiva. Orlando Duarte orientou também a Selecção Nacional Universitária de Futsal Feminina que alcançou um brilhante 2º lugar no Mundial da modalidade. A votação do público em geral é feita através da Internet (http://galacdp.sapo.pt/), na página da CDP (www.cdp.pt) ou no portal Sapo. A votação encerra no dia da 13ª Gala do Desporto, que se realiza a 20 de Novembro. Votem!