segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A nossa selecção – entre o clube de Luís e o conjunto de Carlos

A nossa Selecção Nacional de Futebol (sobre)vive em dias e tempos pouco cómodos. Os resultados alcançados nos últimos 5 anos não estão agora a ter a mesma linha de progressão e a isso fica intimamente ligado à mudança no cargo de Treinador Nacional – Seleccionador. Quando em 2002 o Brasil foi Campeão do Mundo, todos os que seguíamos a competição pela televisão ficámos a conhecer e a identificar a “imagem” do então desconhecido Luís Filipe Scolari. Após esta conquista e decorrendo o ano 2003, Luís Filipe Scolari assumiu o cargo de Seleccionador Nacional de Futebol e em 2004, numa competição na qual Portugal não teve que realizar fase de qualificação, Portugal alcançou a final do Euro 2004.

Dois anos mais tarde, após uma excelente fase de qualificação, conduziu a Selecção Nacional ao quarto lugar do Mundial 2006, confirmando a magnífica série de resultados obtidos à frente da "equipa de todos nós".

Depois de obter a qualificação para a fase final do EURO 2008, Portugal ganhou os dois primeiros jogos realizados em Genebra e qualificou-se para os quartos-de-final da prova, onde foi eliminado pela Alemanha. Esse foi, também, o último jogo de Scolari à frente da "equipa das quinas", já que o brasileiro foi contratado pelos ingleses do Chelsea.

Durante estes (quase) 5 anos, as convocatórias de Luís eram muito idênticas, sem grandes alterações de nomes, independentemente de o jogador A ou B jogar regularmente no seu clube ou inclusivé deixasse de ser opção e fosse menos utilizado. Luís sempre conseguiu, enquanto esteve no comando da Selecção, formar um verdadeiro espírito de clube, constituindo à sua volta um plantel de jogadores que apenas sofria alterações pontuais e opcionais devido a lesões de jogadores. Parece-me evidente também que para alcançar e potenciar as rotinas de Selecção, de treino, de jogo e de hábitos comportamentais desportivos que se pretendem numa Selecção – e visto o curto espaço de tempo que as Selecções estão reunidas – este foi um “pormaior” muito importante e até mesmo decisivo. Assim se conseguiram os resultados (re)conhecidos, e nem as capas de jornais, os programas de televisão, os presidentes de clube ou outro agente desportivo com opinião valorizada, mudou em Luís a forma de ser, de estar, de actuar e decidir em função das suas convicções. Formou na nossa Selecção de Futebol um ambiente e um espírito de família, acreditando, confiando e defendendo os seus atletas de quem lhes queria fazer entender o contrário. Assim deixámos de ser apenas a Selecção com talento e passámos a ser a Selecção com talento que ganhou, foi aclamada por todos e esteve perto da glória.

Agora, a outra face da Selecção – Carlos regressou ao comando da Selecção Nacional – Clube Portugal em Julho de 2008. Levamos alguns jogos de preparação, 4 jogos de qualificação e muitos atletas convocados, experimentados, e alguns deles, só para ver em contexto não competitivo, pois depois nem jogam. Carlos tem um grupo de jogadores grande, tal a variedade de opções que tem tomado nas convocatórias até agora efectuadas. E pelo que temos visto, este grupo de jogadores não vai ficar por aqui. Assim, com tantas opções em tão pouco espaço de tempo, torna-se difícil criar um “plantel”, um espírito de clube, um pequeno grupo de jogadores que tenha e comece a fomentar as rotinas que Carlos pretende para a sua equipa. Com a fase de qualificação a “apertar”, deveria Carlos escolher um “plantel” para os próximos desafios, ficando alheio a algumas ocorrências desportivas que vão sucedendo, por forma a potenciar o rendimento da nossa selecção. A cada convocatória faremos a análise e retiraremos a nossa conclusão da forma como Carlos conduz e conduzirá o processo Selecção.

A diferença entre Luís e Carlos tem estado neste aspecto e noutro tão menos importante – os resultados. Concordava com Luís e assim, custa-me a aceitar algumas opções de Carlos, mas quando vierem os jogos, também quero que Portugal vença.


(Este artigo foi publicado no Jornal Tribuna Desportiva, na sua edição de 16 de Dezembro de 2008)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Mais que um jogo, um golo, uma vitória. 5 vidas!

“Permita-nos que, na sua pessoa, nos dirijamos a todos quantos no Sábado passado socorreram a minha família na CREL – restante equipa técnica, jogadores e dirigentes. Nesse dia, acredite, (ob)tivemos a vitória mais bonita da nossa vida (uma carreira que leva já 38 e 33 anos de existência, respectivamente) e o Senhor Prof. José Luis e restantes elementos da ADF presentes no local contribuíram decisivamente para que a mesma se consumasse. Depois do aparatoso e violento acidente que envolveu toda a nossa família mais directa e da qual, miraculosamente, não há ferimentos a registar, tivemos – a minha mulher, os meus filhos e eu próprio – a sorte de termos sido socorridos, num primeiro mas decisivo momento, por verdadeiros Campeões.

Pouco importa – espero que nos compreenda – se ganham todos os jogos, mas o que lhe garanto é que, com atitudes humanas, altruístas e solidárias como a que tiveram no Sábado, ganharão seguramente um campeonato muito mais importante: ganharão o respeito dos outros, o direito a andar de coluna direita e o campeonato da atitude perante o nosso próximo. Sem temer ninguém e sem vergonha do que quer que seja. Situação rara nos nossos dias.

Acabamos de receber a notícia do mecânico com a sentença para o nosso carro: sucata!!!

Também nós e os nossos filhos poderíamos ter ido para a sucata. Num primeiro instante não fomos, graças a Deus, num segundo momento foi a todos vós que entregámos a nossa protecção.

Acredite Senhor Prof., não temos palavras suficientemente fortes para exprimir o sentimento de gratidão que guardamos dos elementos da ADF que conhecemos na CREL. Bem hajam!

Esperamos que o que viram possa servir de lição de vida (para nós a vossa ajuda serviu e muito): um carro destruído de um momento para o outro e uma família sã e salva sem saber como. Aos mais novos – e havia, muitos, mais novos do que nós – peço-lhes que não julguem que situações destas só acontecem aos outros (nós não seguíamos a mais de 140 Km/h e tínhamos pneus, com apenas, 6 meses de idade). A tarefa não é fácil, mas tentem. Também nós, até Sábado passado, acreditávamos que era só aos outros que este género de “coisas” acontecia...

A vida dá muitas voltas, e às vezes até cambalhotas. Sem contarmos com elas, sem aviso prévio. De um minuto para o outro tudo pode mudar.

A Vossa lição e o Vosso exemplo não nos abandonarão e tudo faremos para que os nossos filhos sejam, também eles, criados na companhia de princípios como os do altruísmo, da solidariedade e do respeito pelo próximo, tão bem interpretados por todos Vós.

Com um forte abraço, de infinito agradecimento.”


Na passada semana, aquando da nossa deslocação a Sassoeiros – Carcavelos para a II Eliminatória da Taça de Portugal, na CREL sentido Lisboa – Oeiras – Lisboa (saída/entrada de Odivelas) deparámo-nos com um violento e aparatoso acidente. No sentido Lisboa – Oeiras um carro acabara de capotar à nossa frente. Dentro dele seguiam 3 crianças (entre os 3 e os 6 anos) e um casal. A carta que vos transcrevi foi enviada à pessoa do Prof. José Luis pelos intervenientes do acidente, que felizmente estão bem, e dos quais também nós não nos esqueceremos.

(Este artigo foi publicado no Jornal Tribuna Desportiva, na sua edição de 9 de Dezembro de 2008)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Reconhecer o mérito

A 15 de Maio de 2007, aqui nestas páginas escrevi assim: “No Sábado, em Pombal, para a última jornada da I Fase da Taça Nacional de Juniores “A” em Futsal Masculino iria decidir-se qual das equipas acedia às meias-finais da competição. Com uma vantagem de 7 golos, alcançada no jogo da 1ª volta no Fundão, sabíamos que o Pombal teria que pressionar muito e bem para nos criar dificuldades e acima de tudo alcançar um resultado de tal forma dilatado que lhes permitisse sonhar com a fase seguinte (...) encarámos o jogo sabendo que estaríamos a 40 minutos de algo inédito e inesquecível para atletas e instituição e que depois de 40 minutos de dedicação e entrega, ficaríamos na história (...) Para a história fica o resultado 5-4, a quebra da invencibilidade que já tinha 11 meses e a passagem da AD Fundão às meias-finais da Taça Nacional de Juniores “A” Futsal Masculino. Inédito, memorável e histórico. Orgulhosamente felizes do percurso desportivo e social que vamos construindo e conscientes da nossa responsabilidade fruto da nossa qualidade, é um momento inesquecível… mas que ninguém nos diga irrepetível!”.

Cerca de um mês depois, a 12 de Junho de 2007, e referente à mesma época desportiva (2006/07), escrevi assim: “A Secção de Futsal da Associação Desportiva do Fundão, conseguiu, no seu ano de estreia, a manutenção no Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Futsal (...) 10 meses de trabalho, dedicação e esforço têm um saldo extremamente positivo. Formámos uma família e agora temos duas. O Balneário, o Pavilhão, o treino, o jogo e até o autocarro foram a nossa casa durante 10 meses e tudo aquilo que vivemos juntos foi-nos tornando cada vez mais fortes e unidos,(...) estão de Parabéns também as nossas famílias e amigos, aqueles a quem roubamos tempo e momentos e aqueles que aturam os nossos estados de espírito em função dos resultados. Obrigado também para eles! Certas e não raras vezes o desgaste acumulado e provocado pela ansiedade pré e pós competitiva foi controlado também por eles e com a ajuda deles. (...) Contudo, também a Formação está de Parabéns! (...) os Juniores alcançaram as meias-finais da Taça Nacional, sendo derrotados pelo Benfica, tendo estado entre as 4 melhores equipas nacionais. Se considerarmos os Juniores como um escalão de pré-rendimento / pré-elite, os resultados obtidos esta época deixam um futuro interessante a estes atletas para seguirem o seu percurso no Futsal: bi-campeões distritais, presença na meia-final da Taça Nacional e nos 24 jogos oficiais desta época, 3 derrotas, 2 empates e 19 vitórias!.

Sendo estes “dados/resultados/factos” relativos à época 2006/07 e porque o IDP – Instituto do Desporto de Portugal leva a efeito o projecto “RECONHECER O MÉRITO”, que tem como objectivo reconhecer publicamente o trabalho desenvolvido pelos Treinadores e Clubes que se dedicam à causa da formação dos jovens praticantes desportivos nas diferentes modalidades desportivas, na defesa dos interesses e necessidades dos jovens e na procura permanente de uma intervenção com maior qualidade, foi o Treinador Joel Rocha na modalidade Futsal e o Clube Associação Desportiva do Fundão, também na modalidade Futsal distinguidos com o Troféu “Reconhecer o Mérito 2007”. Foi numa iniciativa que decorreu no passado dia 28 de Novembro em Castelo Branco nas instalações do Governo Civil que o IDP distinguiu clubes e responsáveis técnicos de diferentes modalidades dos distritos de Castelo Branco e da Guarda com troféus referentes ao ano de 2007.

(Este artigo foi pulicado no Jornal Tribuna Desportiva na sua edição de 2 de Dezembro de 2008)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Queremos mais!!!!!

1ª Parte
Sábado, no Pav. Municipal do Fundão, recebemos o Alpendorada e para não variar, foi um jogo equilibrado, muito pensado e cauteloso, onde não errar era tão importante como decidir bem. Estivemos sempre na frente do resultado, ora por 1-0 ora por 2-1 e finalmente 3-2, mas o Alpendorada foi sempre um adversário difícil, organizado mas nunca conseguiu ser perigoso nas acções de finalização porque a nossa organização defensiva, salvo alguns “lapsos” posicionais colectivos, foi sempre organizada e ambiciosa. Há jogos que nos falta melhor capacidade de decisão na hora de finalização e não vencemos. Há jogos que temos essa qualidade na finalização e vencemos. Há jogos que jogaremos melhor, haverá jogos menos conseguidos, mas haverá em todos eles a preocupação em jogar de acordo com a nossa forma de jogar, que se treina e melhora todos os dias e haverá sempre no nosso rendimento desportiva a ambição e o mesmo objectivo de sempre – vencer. Neste patamar de rendimento não interessa outro “pormaior” que não sejam os pontos, e por ser para eles que treinamos e jogamos, o jogo deste Sábado foi muito bom, porque vencemos, mesmo sem demonstrar toda a qualidade individual e colectiva que temos, mas repito, entre jogar bem e vencer, ou jogar menos bem e vencer, prefiro... vencer! Vencemos, conquistámos mais 3 pontos e os 11 que temos são nossos e intocáveis, mas queremos mais!!!!!
2ª Parte
Os jogos que a Desportiva do Fundão, Secção de Futsal Masculino, disputa no Pavilhão Municipal do Fundão, estão no TOP 5 a nível de assistência/presença de público de todos os clubes que competem na 1ª Divisão. Contudo, em outros Pavilhões, já disputámos encontros com menor quantidade de adeptos e um ambiente mais adverso do que aquele sentido na “nossa casa”. Sinceramente, a nós que estamos lá em baixo, é um orgulho enorme olhar para a bancada e ver tanta gente, mas infelizmente isso pode não ser sinónimo de “bom ambiente”. Ponto prévio – queremos mais adeptos/simpatizantes/curiosos/interessados/público no Municipal!! Segundo ponto prévio – o ambiente que se vive no Municipal em dias de jogos não pode ser de “sofá e televisão”. Lanço o desafio “ao adepto” que vai ao Municipal e aos que vão passar a ir, que a melhor forma de fazer parte integrante do espectáculo desportivo a que assistem é envolverem-se no mesmo, e não estar “apenas” sentado. Queremos mais do “nosso adepto”, que se emocione ruidosamente, que faça sentir quem está lá dentro que está ali alguém que também pode ajudar a “pressionar”, não o portador da bola ou a linha de passe, mas “pressionar” a mente e a concentração de quem decide a acção individual ou colectiva seguinte. Queremos mais adeptos no Pavilhão e queremos dos nossos adeptos mais emoção, mais entusiasmo, mais “barulho” e um ambiente “pressionante” para os outros e favorável, de conforto, protecção e auxílio para os nossos. Passem a palavra. Vamos, todos juntos, querer mais!!!!!
Prolongamento
A meio da semana e num horário pouco nobre para os Portugueses, a nossa Selecção Nacional de Futebol disputou um jogo amigável (!) de preparação (!) no Brasil e o resultado, desculpem, a goleada, já todos sabemos qual foi. Perder com o Brasil num jogo deste tipo não era mau, ser goleado pelo Brasil é no mínimo humilhante e vergonhoso, até porque reza a história, que já somos equipa nem país de levar goleadas! Temos que nos revoltar com isto, claro que sim! Queremos mais!!!!! E fico com a sensação que Carlos Queirós ainda está à procura de soldados (atletas) para a tropa (equipa), pois já experimentou tantos em tão pouco tempo, que depois do regresso do Brasil, vamos vê-lo por aí numa trincheira (escondido) para sua defesa. A guerra (jogos de qualificação) está aí à porta e não estamos muito bem de saúde. Quando os jogos forem na nossa casa (em Portugal), também nós como adeptos temos de ajudar.

(Este artigo foi publicado no Jornal "Tribuna Desportiva", na sua edição de 25 de Novembro)