quinta-feira, 8 de julho de 2010

defesa de mestrado – 15 Julho 2010, 9h00 - UBI (aqui fica o resumo…)

A INFLUÊNCIA DO ESTILO DE LIDERANÇA DO TREINADOR NO RENDIMENTO INDIVIDUAL E COLECTIVO.
Esta investigação tem como principal objectivo avaliar a percepção dos atletas relativamente ao estilo de liderança do treinador, realizando um estudo de caso com a Selecção Nacional de Futsal – Clube Portugal. É objectivo caracterizar os comportamentos de liderança do Seleccionador Nacional e a sua influência no rendimento individual e colectivo, esclarecendo quais os comportamentos associados ao estilo de liderança mais e menos predominante.
Para esse efeito foram utilizados dois métodos: um questionário aos atletas e uma entrevista ao treinador da Selecção Nacional de Futsal – Clube Portugal. A nossa amostra foi constituída por 22 atletas e o Seleccionador Nacional. Para o questionário foi utilizada a Escala Multidimensional de Liderança no Desporto-2 (EMLD-2) (Gomes, 2008), que avalia a percepção dos atletas acerca dos comportamentos assumidos pelos respectivos treinadores.
Após a aplicação dos referidos métodos e posterior análise dos resultados foi possível concluir que o estilo de liderança presente na Selecção Nacional de Futsal – Clube Portugal, por intermédio do seu Seleccionador Nacional, não corresponde a um estilo de liderança predefinido e estereotipado, assumindo diferentes estilos em função da situação, do contexto e da tomada de decisão a adoptar. Com base nestes comportamentos de liderança, podemos afirmar que em função da variabilidade de estilos adoptados, o Seleccionador Nacional é um líder naturalmente aceite, eficaz, competente, corajoso, optimista e ambicioso. Podemos concluir também que a influência do estilo de liderança do Seleccionador Nacional é factor determinante no rendimento individual (atleta) e colectivo (resultado).
PALAVRAS CHAVE: ESTILO DE LIDERANÇA, SELECCIONADOR NACIONAL, ATLETAS.

terça-feira, 6 de julho de 2010

África “deles” III

A esperança terminou, frente aos nossos vizinhos, da pior maneira! Cada vez mais no futebol, a distância entre o perder e o ganhar está tão próxima que até se confunde. Portugal foi com a Espanha uma equipa submissa, demasiado dócil na agressividade defensiva com e sem bola e inexplicavelmente pouco ambiciosa. A estratégia de Queiroz deu à Espanha o que ela melhor sabe fazer: ter a bola. Ora, se por princípio, conhecemos as forças dos outros e as nossas fraquezas, assim como as nossas forças e as fraquezas dos outros, penso que dar à Espanha aquele objecto tão valioso confiando na organização/aglomeração defensiva para 90 ou mais minutos, pareceu-me enfadonho e despropositado. Portugal expôs-se à Espanha e o golo foi uma questão de tempo. Quem ataca organizado e equilibrado como a Espanha o fez, fica confortável a parar e defender transições, ainda para mais, com um Ronaldo “absurdamente” individualista, um Simão “desaparecido” e um Hugo Almeida que “sozinho na frente”, deu conta do recado até Queiroz ter percepcionado estar cansado. Portugal foi eliminado, mas podia tê-lo sido de forma mais coerente e ambiciosa, tal como o discurso. O objectivo era, diziam eles, chegar longe. Isso é o quê? Ninguém pergunta a ninguém o que é chegar longe? É que depois de sermos eliminados ouvimos o presidente da FPF dizer que esperava mais e só foi feito o mínimo. Pudera. Somos a terceira selecção no ranking FIFA e por isso podíamos e devíamos ter feito mais, mais que não fosse perder tentando ganhar, subindo o bloco colectivo, demonstrando identidade colectiva com e sem bola. Ainda relativo à nossa classificação do ranking, quando convém dizemos que não quer dizer nada, assim que parece conveniente vimos logo dizer que é importante e uma demonstração da clara e franca evolução do futebol português – este discurso típico e já conhecido antes de ser pronunciado demonstra demasiada flexibilidade/indefinição nas ideias colectivas. E nem o discurso virado aos apitos justifica algo. O nosso fora de jogo teve 22 centímetros? O golo da Inglaterra teve mais de 1 metro e o sofrido pelo México quase 2, e não venham dizer que a Inglaterra não tem “poder” no futebol mundial, assim como não nos tornemos (como costume) nos eternos queixinhas pós-derrota. Queiroz fez bem em olhar para dentro e dizer que não se investe no futebol de formação em Portugal. Perguntou inclusive se conheciam os investimentos noutros países e o “desinvestimento” no nosso. Discurso inteligente para apaziguar a azia, mesmo toda a gente sabendo, tal como Queiroz, que fomos 4ª classificados no último mundial e boas prestações nos últimos europeus (2º em 2004 e quartos-final em 2006). Eu chamo-lhe discurso de “conveniência”, com o qual não me identifico nem concordo. Este campeonato do mundo e a sua preparação revelou-nos outro indício: o perfil de liderança de Queiroz. Ser adjunto do Manchester ou Seleccionador Nacional não é a mesma coisa e embora a pessoa seja a mesma, a liderança exige modificações comportamentais para alcançar o sucesso. Aliás, parece-me que Queiroz em Madrid foi mais eficaz ao nível da liderança que desde o dia em que assumiu o cargo na FPF. Explicação: parece-me a mim demasiada aproximação a alguns, afastamento a outros e depois, a inexistência de um discurso comum para o exterior. Podemos ainda juntar a tudo isso declarações de jogadores a colocar nitidamente em causa as suas opções (só quem não quer perceber é que “aceita” de forma natural os comentários de Deco – pós jogo com a Costa do Marfim e Espanha, e Ronaldo – “o porquê da eliminação: perguntem ao Carlos!”). Em privado, para melhorar e potenciar o rendimento colectivo, admito diálogo e divergência de opiniões e estratégias para se atingir o consenso colectivo, mas para o exterior, o discurso não pode transparecer tamanha diversidade de opiniões desportivas. E para esclarecer, não confundam opiniões com decisões.

REFERÊNCIAS:

1. A 22 de Junho referi-me neste espaço ao carácter de um grande “capitão” de seu nome Ronaldo. Agora, a 6 de Julho, retrato-me e tenho que dizer que faltou carácter ao capitão dos portugueses. O futebol tem disto e por enquanto, esperamos por cenas dos próximos capítulos.

2. A AD Estação encerrou a sua época desportiva juntando numa festa “familiar” mais de 300 pessoas. A instituição merece e por isso, todos os que para ela contribuímos, só temos que querer mais… muito mais! Boas férias!

terça-feira, 22 de junho de 2010

O seu a seu dono, sff!

A Associação de Futebol de Castelo Branco realizou pelo segundo ano consecutivo a Gala do futebol (e futsal) distrital. A Gala não deveria ser apelidada de “futebol”, até porque, premeia e distingue modalidades que não só o futebol. Distingue também o futsal, a arbitragem e também, e nunca menos importante, a classe dirigente do desporto. Seria assim (digo eu), uma designação a rever. Excluindo este pequeno detalhe, que para as gentes do futsal é um “pormaior”, é agradável e bonito reunir gente que durante épocas desportivas trabalha no anonimato, se conhecem de jornais, sites e entrevistas, e têm oportunidade de se conhecerem pessoalmente, trocando impressões, partilhando ideias e reconhecendo competências. Por isso, e pela atitude congregadora da A.F.C.B., os meus parabéns pela repetição da iniciativa, que oportunamente dirigi ao seu Presidente.

Quanto às nomeações e às devidas distinções, como disse o Presidente da A.F.C.B., “as nomeações serão sempre polémicas e alvo da sua crítica” (construtiva ou destrutiva em função de interesses pessoais, colectivos e desportivos). Não me compete a mim opinar sobre nomeações ou distinções atribuídas, mas sinto-me no dever desportivo de repor no seu devido lugar, algumas atribuições, apenas e só porque conheço melhor que qualquer um, a razão pela qual transmito estas considerações. No futsal feminino, para a melhor atleta do ano, eram nomeadas Rute Duarte e Cátia Morgado da AD Estação, e Mafalda do Bairro do Cansado. Até aqui, com menor ou maior concordância, estaremos minimamente de acordo. Daqui para a frente, a decisão a adoptar tem que ter critério mais rigorosos e sobretudo, critérios de facto. Rute Duarte é, não tenhamos a menor dúvida, uma das melhores atletas de futsal feminino de Portugal. Internacional e com inúmeros títulos conquistados, é uma capitã exemplar! Cátia Morgado, uma jovem atleta de apenas 20 anos de idade e com dois anos de prática regular de futsal feminino, é bi-campeã distrital e vice-campeã mundial de futsal feminino universitário e esta época desportiva foi um exemplo para as restantes praticantes da modalidade, pela entrega, dedicação, qualidade e ambição, a juntar ao rendimento desportivo que esta época apresentou. Não desvalorizando nenhuma das outras 13 atletas que com ela trabalharam (Joana Santos, Sara Coelho, Sofia Ferreira, Catarina Rondão, Carolina David, Rute Duarte, Daniela Gaspar, Margarida Morão, Ana Vanessa, Vanessa Nunes, Rita Curto, Cláudia Fortunato e Liliana Soares), esta distinção merecia ter sido entregue, publicamente, a Cátia Morgado. E digo publicamente porque Rute Duarte, demonstrando toda a sua categoria social e desportiva, apenas ao alcance de uma enorme capitã, após saber a atribuição do prémio, de pronto disse “Eu? Era pra Cátia, ela fez uma boa época e merecia”. Notável, a atitude humilde da Rute e a modéstia de Cátia em aceitar a distinção à nossa capitã! As duas conscientes que sem as restantes, o clube e todo o departamento de futsal, nada disto seria possível e as minhas palavras não faziam sentido nenhum! É por isto, e por muito mais que não se vê nem se ouve, apenas se sente e se transmite, que é um orgulho enorme liderar estas atletas!

REFERÊNCIAS:

1. Uma palavra de felicitação e gratidão a Manuel Ribeiro, distinguido com o Troféu Prestígio na Gala AFCB. Foi um enorme prazer e uma constante lição de vida desportiva ter trabalho com ele no Gabinete Técnico da A.F.C.B. Bem-haja e muitos parabéns! O seu a seu dono!

2. Sete zero à segunda jornada de um campeonato do mundo de futebol é digno de entrar na história. Portugal conquistou uma boa vitória mas é “apenas” isso, uma vitória e três pontos! A segunda fase está perto e daí em diante, qualquer selecção pode ambicionar a mais. São noventa minutos de futebol, (ou cento e vinte e até com pontapés da marca de grande penalidade), e com esforço, dedicação, qualidade e organização, tudo é possível! Coragem e ambição!

3. Ronaldo mostrou o carácter de um grande “capitão”. Após receber o prémio MVP do jogo Portugal – Coreia disse “Não sei se foi justo. O Tiago jogou melhor que eu. Fez dois golos e uma assistência”. Após o jogo, o capitão da Selecção Nacional decidiu entregar o prémio a Tiago, por entender que o colega merecia tal distinção. “Tive uma surpresa no balneário. O Cristiano dedicou-me e ofereceu-me o prémio. É uma grande atitude”, disse Tiago após o jogo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

África nossa (I)

A estreia da nossa selecção todos sabem quando é. Por isso, não se torna necessário dizer que é hoje, terça-feira, às 15h00 em Port Elizabeth, na África do Sul. Enquanto isso, o Mundial propriamente dito começou. Aquele em que o jogo é o auge e tudo o que o envolve passa para segundo plano. Tudo, à excepção das vuvuzelas e do seu som característico, que nos entra em casa pela TV e nos ouvidos como se fossem abelhas. Não mordem nem picam, mas chateiam. Parecem moscas!

Dia 1 do Mundial – África do Sul 1 México 1. Grande jogo de ordem organizacional e táctico-estratégica durante os primeiros 60 minutos. Dos 60 aos 93, o jogo foi mais emocional que racional, típico de mundial em dia de abertura, com muita desorganização ofensiva a permitir inúmeras transições. Mas primeiro, o que o jogo teve de mais bonito. Bons momentos organizacionais do México, com “metamorfoses” tácticas com bola e sem bola. Sem bola a última linha defensiva era composta por 4 jogadores, com bola os dois defesas laterais subiam linhas e o médio defensivo (#4 Marquez) baixava para a linha dos dois centrais, originando um 3.4.3. Após o nulo ao intervalo, o experiente Parreira deu o rebuçado a Aguirre e com uma equilibrada organização defensiva, os sul africanos foram muito fortes na transição ofensiva, originando desse momento um golo (grande golo) e várias oportunidades não concretizadas. O México aproveitou um erro individual de um sul africano para empatar (a defesa subiu e ele ficou, colocando em jogo 3 mexicanos), um jogo que se tornou demasiado desorganizado com o passar do tempo, associado talvez ao desgaste emocional provocado pela ansiedade da estreia no Mundial. Uruguai 0 França 0. Quando a tensão pelo jogo ocupa o lugar da imaginação e da correcta tomada de decisão, sobra transpiração e o jogo torna-se pouco interessante. Tivemos aqui um bom exemplo de como mais importante que a disposição táctica inicial de cada equipa (Uruguai 4.4.2, França 4.3.3) é a sua dinâmica individual, colectiva e posicional. Houve ingredientes mas foram mal cozinhados e com isso, o Grupo A acaba a 1ª jornada como começou – tudo empatado.

Dia 2 do Mundial – Coreia do Sul 2 Grécia 0. Quando a organização defensiva não se sobrepõe à ofensiva, a Grécia não vence. Os gregos defendem bem, mas melhor quando estão em vantagem no marcador, porque em desvantagem perdem algum equilíbrio em ataque organizado e posteriormente na transição defensiva. Os Coreanos, bem organizados e com transições a fazer lembrar os tempos de Guus Hiddink (sem condução, em progressão e com enorme disponibilidade física e numérica), demonstram que futebol organizado, rápido e atractivo não é só na Europa, África ou América. Argentina 1 Nigéria 0. O jogo teve tanto de brilhante como de suspense. A Argentina podia ter ganho confortavelmente e a Nigéria podia ter empatado. É assim o resultado no futebol. Vitória empate e derrota, em certos jogos, andam muito próximos, quase de mãos dadas. Para um grande Messi um enorme Enyema (gr nigeriano). Pelo que vimos, a Argentina vai dar que falar. Parece explicada a convocatória do trintão Véron. Diego Armando Maradona precisa alguém dentro de campo que saiba o que fazer, como fazer, quando fazer e o que dizer a Maradona sobre o que se está a passar. Por isso me faz alguma confusão a não convocatória de Cambiasso e Zanetti. Inglaterra 1 EUA 1. Uns ingleses consistentes mas lentamente persistentes e um gr amigo ditaram um empate amargo para ingleses e saboroso para americanos. O americano Tim Howard (gr) que joga em Inglaterra foi, naturalmente, o melhor em campo, o que significa qualidade defensiva individual e colectiva americana e qualidade ofensiva individual e colectiva inglesa. Perante duas equipas bem organizadas, devem estar aqui as duas equipas a passar. Provavelmente.

Dia 3 do Mundial – Argélia 0 Eslovénia 1. Atrevia-me a dizer que estas duas equipas não ganhavam a ninguém, mas Chaouchi (gr argelino) teve a gentileza de contrariar a minha ideia inicial com aquela abordagem ao lance no mínimo estranha. Veremos nos próximos dois jogos quantos pontos fazem ambas as equipas. Sérvia 0 Gana 1. Os lutadores africanos levaram a melhor sobre os interessantes e mecanizados sérvios. Duas equipas lideradas por treinadores sérvios, duas equipas bem organizadas defensivamente. A Sérvia com mais qualidade individual e no passe curto e longo, o Gana com mais “ganas” nos duelos individuais e mais pressionante. Duas equipas interessantes que, por causa da Alemanha, uma vai regressar a casa mais cedo. Alemanha 4 Austrália 0. Uma Alemanha muito forte para uma Austrália muito fraca só podia dar goleada. Ver ao vivo Cabo Verde e pela televisão a Austrália, as diferenças colectivas não me parecem muitas e arrisco mesmo a dizer, que a nível de organização de jogo, Cabo Verde teve contra Portugal comportamentos posicionais que a Austrália foi incapaz de estabelecer contra a Alemanha. Para não variar, temos Alemanha para chatear!

REFERÊNCIAS:

1. Até agora, 406 mil 253 espectadores viram ao vivo os jogos do mundial. O jogo com maior assistência foi o inaugural (84.490), o de menor assistência o Argélia x Eslovénia (30.325).